Manhã de muito Sol, deitado em uma cadeira de praia. 8 horas da manhã. Do lado um guarda-sol, uma mesa com frutos do mar à vontade, um lindo visual da praia tinha a frente, ventos correndo forte pelo corpo refrescando o calor. Ao fundo, tocando um pop internacional, para alegrar e dar continuidade ao ritmo. Moro no paraíso em um prédio muito bonito e chamativo.
O apartamento fica na cobertura, onde todos me conhecem e sou o centro das atenções. Na piscina, apenas pessoas bonitas, mas entre todas, quem me deixa sem chão mesmo é a Liz... Ah, Liz... sabe aquela menina bonita demais para você olhar por muito tempo? Por que se achar que precisa de mais do que cinco segundos, precisa de uma nova senha para apreciar esse espetáculo de garota. E lá está ela, no meu campo de visão, saindo da piscina com todo o seu poder sedutor. Que inveja eu tinha daquelas gotas de água, viajando por todo aquele monumento, de cabelos loiros claros e olhos tão verdes quanto uma esmeralda. O rosto angelical e o corpo uma silhueta de que só de olhar você perde todos os outros sentidos. Depois do pequeno show subindo as escadas e sair da piscina, veio até minha direção com um sorriso de desfazer qualquer mau humor:
- Que foi, mozinho? Não vem pra água?
- Ah, hoje não estou muito afim. Quero só curtir uma preguiça.
- Oh! Está cansado e só disse agora? - Veio ela atrás da minha cadeira, subindo suas mãos para meus ombros, pressionando delicadamente - Com tanto esforço não sobra espaço para mim...
- Nada disso, sabe que estarei sempre presente para você.
- Pois hoje a noite tenho um pedido especial... - disse mudando de lugar rapidamente para a minha frente, me hipnotizando com seus olhos penetrantes e sedentos.
- Hmm... e o que é? Sabe como sou curioso.
Domado pela sua enorme beleza, mesmo coberta de resquícios de água da piscina, sentia seu corpo em chamas, com sinais vitais de um ataque de euforia, levando-me à loucura. Seus lábios movimentaram e fervorosamente palavras saíram de sua boca : "Levanta, vagabundo!". Pulei da cadeira assustado, questionando o que houve e mais uma vez berrou: "Levanta, seu monte de lixo! Quer ficar igual ao seu pai?". De repente meus olhos estavam fechados e os abri. Minha mãe estava na porta do meu humilde quarto, com um amaciador de carne de madeira na mão, a roupa meio suja, com um rosto de quem estava quase para cometer um homicídio e (literalmente) me ameaçou:
- Eu vou contar até três. Se você não levantar daí vou espancá-lo até não conseguir andar mais, aí sim vai ter um motivo para não levantar para o resto da vida!- Levanteilevanteilevantei! - movimente-me tão rápido que de repente minha visão ficou escura de novo por alguns segundos.
Segunda feira, dia de aula, obrigações das quais não gosto. Mas quem é que gosta de obrigações? É interessante como um final de semana consegue destruir sua rotina. Sentia-me como se tivesse acordado de madrugada de tanto sono. Rapidamente me preparei para ir para escola, mas fui para a cozinha antes e
- Tá fazendo o que aí parado na porta? Tá atrasado!
- Não tem nada para comer antes de ir?
- E desde quando tem? Tem lanche na escola. Agora sai do meio que tá atrapalhando.
Ainda bem que ela está de bom humor hoje. O clima na rua estava um pouco diferente, o morro parecia mais alto, pessoas fofocando entre si, outras indo trabalhar... bom nada tão diferente assim. Depois de quinze minutos a pé, chegando no ponto de ônibus, tive uma decepção maior que término de relacionamento: o ônibus já tinha passado e ninguém na parada. Com fome, pernas doloridas e sozinho em um ambiente hostil, começando o dia com o pé direito. Imagina como vai ser até o final. Adoraria ver as coisas melhorando. Depois de um tempo pensando, eis que a sorte atendeu ao meu chamado (ou não), um barulho de celular desmanchou o meu mundo de pensamentos. Tirando do bolso, vejo uma mensagem: "Está atrasado! Corre que o professor vai já fazer chamada". Ótimo, não bastasse isso, três rapazes muito suspeitos surgiram e me abordaram derrubando no chão:
- Aí, vacilão! Tá de bobeira, perde fácil, meu! - E o celular que caiu no chão foi para as mãos de alguém que nunca mais traria de volta.
- Tô com maior fome, vê o que esse vagabundo tem aí guardado.
Um pé foi direto no meu tronco, forçando contra o chã. Foi tudo tão rápido que só consegui olhar quem eram, uma atitude muito burra eu diria, pelo menos nessa ocasião:
- Olha só, ele viu a gente. Que medo, ui ui ui. Vai denunciar, tô até vendo.
- Tem cara de X9. Melhor dar um jeito nisso.
- Olha aqui, um presentinho pra você. - Disse o mais mal encarado, tirando algo do quadril enquanto se abaixava.
Uma arma foi apontada para a minha testa. Foram alguns segundos de terror que pareceram mais horas de sofrimento. Puxou o gatilho e um estrondo fez um estrago no meu rosto, fazendo tudo ficar escuro. Rios de adrenalina correram no meu sangue, fazendo-me levantar e para um grande susto, estava na minha cama e ainda era noite. Corpo suado, calor, respiração acelerada e ofegante, coração disparado, sangue fluindo na velocidade do som, ouvidos atentos, menos a mente, desequilibrada e procurando entender a situação. Um sonho dentro de um sonho, foi isso mesmo? Bom, no relógio mostrava que estava quase na hora de levantar. Que louco.


Nenhum comentário:
Postar um comentário